"(...) Estou tão feliz, meu bom amigo, de tal modo imerso no sentimento de uma existência tranquila, que minha arte está sendo prejudicada. Neste momento não poderia desenhar uma linha sequer, e, no entanto, nunca fui um pintor mais abençoado do que agora. Quando, ao meu redor, os vapores emanam do belo vale, o sol a pino pousa sobre a escuridão indevassável da minha floresta, e apenas alguns raios solitários se insinuam no centro deste santuário; quando, à beira do riacho veloz, deitado na grama alta, descubro rente ao chão a existência de mil plantinhas diferentes; quando sinto mais perto meu coração o fervilhar do pequeno universo por entre as hastes, as inumeráveis e indecifráveis formas das minhoquinhas e dos pequenos insetos... - nestes momentos, meu amigo, quando a penumbra invade meus olhos, o mundo ao meu redor e o céu repousam em minha alma como a imagem da bem-amada, muitas vezes arrebata-me um anelo ardente e fico pensando: 'Ah, se pudesse expressar tudo isso, se pudesse imprimir no papel tudo aquilo que palpita dentro de ti com tanta plenitude e tanto calor, de tal forma que a obra se tornasse o espelho de tua alma'
- Meu amigo! - Mas soçobrarei, sucumbo ao poder da grandiosidade destas manifestações."
5 comentário(s):
Perfeito!
=*
" Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida... "
...é só o que (consigo) dizer
Às vezes (muitas, na verdade) acontece de eu estar tão cheia de tumultos internos que não consigo escrever uma frase coerente sequer. Congestiona. =S
eu sempre quis ler esse livro, mas não sei porque, nunca li, acho que agora nas férias seria uma boa.
O que seria de nós que ao buscarmos as pequenas coisas elas não estivessem lá?!
Bonito texto.
Beijos
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