"Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade.
Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo"

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mimimi desproporcional (ou Simplesmente nós)

É no silêncio que os meus olhos agora vão buscar o timbre da sua voz e, enquanto meus ouvidos incansavelmente relembram aquele sorriso meio de canto que você esboçou me mandar antes que eu fosse embora, ao te ouvir meus pensamentos não me traem: você não está aqui. E ainda que não esteja, ainda que sua presença seja apenas uma artimanha hipotética da minha condição de ser que se ausenta e tenta manter fresca a imagem de quem se quer bem e que racionalmente eu saiba que você não está aqui, ainda assim, mesmo com toda a minha lógica apurada que insiste em me dizer o tempo todo que você não entrará correndo por aquela porta gritando comigo que eu já deveria estar dormindo ou que, por mais que eu queria, não acharei nenhum bilhete seu grudado na porta, ainda assim, mesmo com essa distância que eu confesso para você já não mais saber se é grande ou pequena, se aí não é aqui e vice-versa por você já ter se tornado uma constante na minha cabeça, agora, eu sinto você ao alcance das mãos como se meus dedos pudessem sentir a leveza dos seus e dedilhassem seu corpo aos pouquinhos terminando a envolver os seus ombros naquele abraço desmedido que nós temos. Eu sinto você(,) aqui(!), comigo(,) e em mim. Desmedido: eu poderia agora falar dos meus exageros, por ser tão eloqüente nas minhas aparições ou por tantas vezes ter te deixado embaraçada e me desculpar por vez ou outra parecer inseguro. É que de repente tudo está muito certo e estou muito bem e as coisas estão se ajeitando pra nós e nós estamos nos ajeitando pra mais e, sem saber, surge um medo, sabe-se lá vindo de onde, caco de vidro esquecido do último corte, pequena mancha na vidraça recém posta, que não chega a atrapalhar, é verdade, mas vira e mexe incomoda e nos tira o foco. Des-me-di-do! Eu já disse, eu poderia achar mil razões que me justificassem ou pelo menos dessem sustentação aos meus atos (desmedidos!), contudo só tenho certeza de duas: você e os filmes. Talvez mais as cenas do que propriamente os filmes. Tudo aquilo que eu vejo na volta pra casa de qualquer dia seja lá o motivo que me tenha feito sair. O casal que briga ao telefone - nas palavras dele por “ciúmes bobos”, afinal, ele só foi até a casa dela porque ele realmente precisava pegar o resto de suas coisas. O casal que se ama sem maiores motivos, amar foge às razões. A menina que brinca de re-significar as mãos na janela do trem ensinando aos atentos formas mais leves de encarar a demora. O menino que cola bilhetes despropositados na esperança de quem alguém sorria ao vê-los. E aquelas, dos filmes, mais clichês e que eu vivo plagiando na tentativa de te arrancar sorrisos. O amor é clichê, já disseram. E já falaram sobre muitas formas de amor, de amar, e já tentaram explicá-las infinitas vezes, mas todos concordam que não há o que se explicar e que qualquer aproximação não passa de uma tentativa vã, uma forma de tornar tangível o intangível, mas não há quem se canse dessa vitória travestida de derrota. E aqui assumo minha glória: - Prazer, um perdedor. 

Você. Eu não sei como dizer ou quais palavras usar. Eu não sei. Eu tento buscar na minha memória meus melhores vocábulos, qualquer palavra que se assemelhe ao que eu sinto ou que possa ter tornar mais palpável, mas você me remete as palavras que eu não conheço e toda vez que eu tento buscar significados eu fico só na intenção porque meu analfabetismo funcional se evidencia e eu me vejo excluído das sintaxes, dos sentidos. Assim, você me fez alvo das poesias do mundo e eu me vi sujeito-poeta no lirismo solto. E só agora percebo que durante todo esse tempo eu fui engolindo essas palavras desconhecidas, as mais exatas, essas que não deixam entrelinhas que se acumulam nos pulmões e te afogam num emaranhado de frases presas na garganta. Palavras que não precisam ser palavras. Palavras que nos seus olhos dilatam meu tempo. Palavras que você chora. Palavras que eu escondo. Palavras. Só palavras. Nada que não saibamos, nenhum segredo que nossos sorrisos não digam. Nenhuma certeza que seu abraço não me dê. E quanto mais eu conheço os seus medos mais eu acredito que você é, sim, um pulo certo na minha vida e que mesmo com todas as incertezas do futuro, mesmo que lá na frente as coisas possam parecer erradas, que as brigas sejam inevitáveis e que tudo mude, é com você que ontem eu sonhei e é com você que hoje eu gostaria de estar dormindo. É com você que eu divido o meu céu e suas infinitas possibilidades...

o mundo repleto de coisas bem nossas!

                                                                                                                                                                      um ônibus chamado:











           



7 comentário(s):

gabs. disse...

Amores quebrados governam vidas :(

Tamires Lima disse...

Se eu falar que terminei aqui chorando, acredita?
Teu texto foi tão encantador, tão cheio de poesia, tão cheio de amor e esperaça... enfim, ele foi perfeito.
Me espelhei aqui.
Obrigada por esse momento.

Beijos.

Maria Fernanda Probst disse...

Não sei, sabe? Me vesti de sensações estranhas ao ler e senti um nó tão apertado no peito com a foto final que... não sei.

Tá perfeito. É isso.

Marcela disse...

Abri um sorriso lindo, desses que eu sei que você já imaginou algumas vezes, quando vi uma atualização por aqui.
Abri um sorriso lindo, desses que eu sei que aparecem quando escuto Depois daquele olhar, mesmo. E então eu deixei escorrer uma lágrima, por me ver correndo nessas suas palavras, e por lembrar como é buscar os verbos mais bonitos pra comentar um sentimento seu.

Saudades de você, muitas.
;***

As Flores e Eu disse...

Ai ai, dói de tão bonito de palavras que eu também não sei dizer.

Vanessa Romão disse...

Eu não vou conseguir dizer nada, porque é essa coisa de ter palavras presas e que sufocam e se emaranham e se amontoam na garganta e te fazem digitar e digitar sem mais para dizer, além do nada que você já disse.


É isso. Bem isso. Bonito, Matheus.

;*

Jaya Magalhães disse...

Felizamor, repito.

Já li tanto. Li tudo. Ultrapassei, senti. Fico pedindo, então, para que o mundo não demore a refletir essa coisa bonita em todos os teus caminhos. Teu caminho, a estrada dela. Que possam preencher esse espaço, até que o amor não saiba mais por onde passar e viva inteiro em vocês.

Um beijo. E saudades de mais letras suas. Sempre.