Fico repetindo frases feitas de poetas consagrados na tentativa de me alimentar de esperanças outras. Brinco de me construir nos dissabores que minha boca jamais ousou provar. Fotografo fotografias. “O meu dia foi bom, pode a noite descer. (A noite com seus sortilégios.)” Não que eu precise – mesmo que precise. Toda lucidez traz a tona fragilidades caprichosamente protegidas, miudezas que, estrategicamente, só revelamos ao fino toque que “encontrará lavrado o campo, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar”. Defendo Bandeiras de pátrias não minhas, e nunca com menos empenho, com menos suor. Vivencio teatros e vampiros, desenho com giz teus olhos castanhos que há tempos tempestades não podem apagar, sem nunca ter sido Maurício. Ainda que digam que a solidão me caia bem. Passei à margem dos meus excessos experimentando alguns quases, equilibrei-me na tênue que separava o certo do duvidoso. Belisquei. Mordisquei. Ensaiei passos além dos horizontes. Ensaiei.
Hoje danço. Parágrafo seguinte porque todo aprendizado carece de espaço, porque nem todo homem sabe dançar, porque todo homem deveria saber. Hoje eu danço. Mais que ritmo, é condução. Atmosfera. Dois corpos, mesmo espaço. Valer-se da máxima ‘bom encontro é de dois’. Danço a convite de uma soberana, certa Senhora, Senhora dos meus anseios, dos meus receios, um reles coadjuvante das tuas manias. Felicidade minha, minha senhora, que sublimou e encantou os sorrisos com ternura sem precedentes na dança, dança comigo e me ensina a dançar.
É tão simples e tão assustador. Você se mostrando assim, mansinha, invadindo cada pedacinho meu, vagarosamente, como se me pedisse licença, sem pedir. Ensinando caminhos em mim, explorando portas impensadas até então. Não é que eu tenha me achado em você ou vice e versa. Ao contrário. Tenho a sensação de estar cada vez mais perdido, menos conhecedor de mim, mais avulso no meu próprio caminho. E digo mesmo, não importa, contanto que seja sempre assim. Você não me completa. Nunca completará. Minhas imperfeições são minhas e essas eu não divido. Mas afinal, quem é você?! - (O amanhecer) - Boca! - (O despertar) – Nenhuma – (Presente da vida) - palavra! Nunca mais. Não responda. Deixa minha vontade impregnada, crescente, brincando de se construir nos sabores que minha boca jamais provou... mas há de.
Será que você vai saber,
o quanto penso em você com meu coração?
Estou pensando em casamento
Ainda não posso me casar
Eu sou rapaz direito
E fui escolhido pela menina mais bonita.
13 comentário(s):
Não li, senti esse texto. Simplesmente doce...
a quanto tempo...
Legião *--*
há quanto tempo, há Nasca?
lindo texto! desses que toca, feito música. bonito ver que existem sentimentos que provocam confusão tamanha que nos conduzem à única das certezas... que eles apenas existem!
E, num repente, a gente descobre. Que não somos só. Somos é um amontoado de poesias, frases, influências. Textos que recheiam a nossa borda, preenchendo uma alma que nasceu sedenta de qualquer coisa.
E ela, quando chega com um convite estendido para uma dança, mostra que o amor é pele. Que o amor não precisa completar nada, nem levar ninguém a lugar nenhum. O amor estando, o resto também está.
Abraço, Matheus.
Que saudade de ler coisas suas. Vi seu comentário e passei aqui.
Como sempre valeu a pena.
Feliz natal para você.
sorri com todos os meus dentes.
porque o descobrimento do brasil é o meu álbum favorito da legião.
sempre foi.
bom te ver de novo, bom te ler. sinto outra coisa agora.
mas é bom.
abreijos.
Baby, não li. [Mas volto para fazê-lo, obviamente]. Vim dizer que tô em casa, aqui no norte, vim atrás de mãe e fico por algumas semanas.
Te deixo um beijo melado de maçã do amor [porque eu super matei a vontade de comer, ainda há pouco e me senti menina de novo - hoho].
Te quero bem toda vida.
"Ensaiei passos além dos horizontes. "
Oh querido! O Renato tá em algum lugar sorrindo agora!
O descobrimento do Brasil é meu album favorito da Legião ( até mais que a tempestade que eu tb amo de paixão) dia desses postei minha musica favorita( barcos)
mas, adorei tudo por aqui...
te visitarei sempre!
Feliz ano novo... te desejo um ano doce e iluminado!
"Minhas imperfeições são minhas e essas eu não divido."
Você sabe que a beleza disso tudo me causa certo incomodo, uma pontada de ciumes. Uso essa palavra porque é a que descreve mais puramente o que eu sinto.
Mas sorrio, como sempre, com a beleza e pela imensidão de amor dessa sua casa. E numa proporção absurda me alegro.
Com amor.
Eita, que isso foi a coisa mais bonita de todas as coisas que li hoje!
Matheusdocéu,
Presta atenção no que você fez nesse texto, cara. Presta atenção e analisa direitinho, agora me responde: pra que deixar tanta poesia guardada? Solta essas trancas, meu bem. Veste esse número, ele se encaixou direitinho em você. E não deixa nunca de fazer tocar esses quatro acordes. É muita música que cabe dentro deles. De você. E disso tudo.
Os parágrafos? Dos melhores que já provei de você.
Beijos demais, meu doce.
É tão simples e tão assustador.
Menos conhecedor de ti... Melhor assim.
Vontade tão grande de provar sabores desconhecidos e sem medo deles.
Que venha! E venha com tudo.
Derrubando, de forma gostosa.
Sem jamais ter de recolocar as coisas nos lugares que chama de devido.
B.
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