Eu me acometo suicídios trinta e quatro vezes seguidas. Perdi o tato. Figuro por entre espaços que mal conheço na busca por respostas que nem mesmo sei se existem. Desconheço quais são as perguntas. Vivi a vida pelas pequenas brechas que me foram dadas com a vista turva e o riso frouxo enquanto a fumaça do meu cigarro me consumia. Às vezes eu sufoco, e é quase sempre. Perdi o nexo. As pessoas em mim são perecíveis. Lentamente me acostumei ao silêncio e a porta sempre fechada, um só travesseiro na cama com as paredes a me confortar, ainda assim sofro com determinadas ausências. Meu paradoxo voluntarioso. Perdi o elo. Já não sei mais qual será o meu lugar, contudo sei reconhecer quais não pertenço. Vou passando estação por estação. Por elas, com elas. Perdi o rumo. O tempo futuro assusta, o passado não sara e o presente ainda não me fora dado. Minhas angústias se perdem sem hora pra chegar. Saturno demorou a voltar. Perdi meus relógios. Na mesa sempre vários copos por beber, cigarros por fumar, conversas por ter. Perdi minhas companhias. O meu abraço resguardo, meus segredos não conto, meus sonhos escondo, minhas verdades omito e se sofro eu minto. Perdi meus laços.
Do medo tirei a coragem e a inquietação necessária. Do meu desespero meus argumentos mais fortes. Perdi, ganhei e até não joguei. Sumiram os dados.
Abro mão de tudo, então, abro as mãos pro tudo: ...que há de vir!
11 comentário(s):
Minha mãe diz que quando se escreve um gênero narrativo, não importa se o que se escreveu foi verdade ou foi inventado pelo autor, ao ser escrito, passa a ser ficção. Mas nesse caso eu me pergunto realmente qual é o limiar entre o real e o irreal, Nasca... É que foi um texto mui bem escrito em sua poesia.
''Abro mão de tudo, então, abro as mãos pro tudo: ...que há de vir!''
E não é que eu penso assim? rs
Nossa, favoritei o sr. aqui. escreve bem demais, e é tão bom encontrar coisas assim...
angústias angustiantes..
as vezes quero mandar tudo para o espaço e poder não sentir mais nada!
Não há perda que não preceda um ganho.
Há de vir!
(ainda bem que você voltou!)
Nunca sabemos o que pode vir quando estamos abertos para o tudo.
Beijos
"Eu me acometo suicídios trinta e quatro vezes seguidas." Eu achei isso bonito, sabia?
Agora imagina alguém que caminhou, caminhou e caminhou, perdendo tudo o que considerava importante pelo caminho e, num determinado instante, cansado, resolve parar. Não tem mais nada. Nada nos bolsos, nada na cabeça, nada no coração. E aí olha pra frente. E vê tudo o que ainda pode ter. Foi essa a imagem que tive ao terminar de te ler. Bonito também, não? É, bonito.
Então, que bom que você voltou, menino!
Beijo.
Boa contrução, inclusive de ideias.
Ás vezes me sinto também assim, talvez seja culpa secular.
Mateus! Quer dizer que o palco anda te secando e tu virando água ;)
Bonito isso, moço.
Adoro encontrar blogs feito o seu. Mas tem algo aqui que me encanta demais...
Beijo, moço.
Todos temos esses momentos. E eles são importantes, porque nos fazem pensar, refletir.
Ah, se não os tivéssemos...
Abro mão de tudo, então, abro as mãos pro tudo: ...que há de vir!
isso é VIVER (:
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