Balançava os pés, afoita. Corria com os olhos de um lado pro outro enquanto as mãos se tocavam ásperas. Bem quando ele chegou com as bebidas.
No carro meia dúzia de poucas palavras, frases inteiras sem respostas assumindo forma de ponto final. Ele, mantendo os olhos atentos na rua batia levemente seus dedos no volante, enquanto ela, quase de lado, olhava pra fora pelo vidro embaçado de chuva. Por instantes, como que numa distração qualquer, ou por simples força do hábito, os dois se entreolhavam esquecendo qualquer constragimento existente e, percebendo o equívoco, logo assumiam uma posição mais indiferente da que estavam. Assim foram durante todo o caminho.
Líquido azul, o drink da casa. Um gole, dois, e os jovens não se entendiam. Bebiam em desarmonia, ritmo acelerado, sedentos pela embriaguez. Tinham seus motivos. Estavam ali, sentados, como já estiveram em outros finais de semana, mas, dessa vez, com muito mais silêncio e fumaça do que de costume. Nervoso, ensaiou deixar o anel cair por três vezes enquanto ela o recriminava com a cabeça. Caiu.
- Você promete que vai me amar por todos os dias?
- Eu já te amo por todos os dias.
- Mas você promete?
- Prometo que amanhã eu vou ter te amado hoje, e ontem, e...
O céu estava nublado, um daqueles dias que muitos chamam de feio por não saberem enxergar beleza em dias assim, mas não para os dois que trocavam sonhos como se ali o mais belo sol os iluminasse. E quem vai dizer que não estavam iluminados? Poderiam ter conversado no parque ou em uma praça qualquer que nada mudaria e, isso, aprenderam juntos: a não-necessidade da perfeição, da riqueza de detalhes, de uma harmonia fajuta, um dia sempre foi só um dia, outro a mais a ser riscado no calendário. Todo dia era dia, toda hora era hora e no dia cinza-feio ele entregou seu coração.
Irritada abaixou pra pegar o anel, ele displicente também. Os dois então se viram, curvados à mesa, em busca de um anel que significava aquela união abalada. Mais do que isso, eles buscavam por qual canto o interesse mútuo correra, em qual das deformidades do chão o carinho sumira, no carro, na casa, nos drinks, quantas palavras eles foram acumulando, quantas feridas não foram sobrepondo, os dois à sua maneira culpados. Tudo parou. Evaporou. Sorriram brevemente até o segundo seguinte, já recompostos, estranharam, riram, e de novo...
- Acho que eu perdi seu anel...
- ... Pra nos achar, pra nos achar!
No carro meia dúzia de poucas palavras, frases inteiras sem respostas assumindo forma de ponto final. Ele, mantendo os olhos atentos na rua batia levemente seus dedos no volante, enquanto ela, quase de lado, olhava pra fora pelo vidro embaçado de chuva. Por instantes, como que numa distração qualquer, ou por simples força do hábito, os dois se entreolhavam esquecendo qualquer constragimento existente e, percebendo o equívoco, logo assumiam uma posição mais indiferente da que estavam. Assim foram durante todo o caminho.
Líquido azul, o drink da casa. Um gole, dois, e os jovens não se entendiam. Bebiam em desarmonia, ritmo acelerado, sedentos pela embriaguez. Tinham seus motivos. Estavam ali, sentados, como já estiveram em outros finais de semana, mas, dessa vez, com muito mais silêncio e fumaça do que de costume. Nervoso, ensaiou deixar o anel cair por três vezes enquanto ela o recriminava com a cabeça. Caiu.
- Você promete que vai me amar por todos os dias?
- Eu já te amo por todos os dias.
- Mas você promete?
- Prometo que amanhã eu vou ter te amado hoje, e ontem, e...
O céu estava nublado, um daqueles dias que muitos chamam de feio por não saberem enxergar beleza em dias assim, mas não para os dois que trocavam sonhos como se ali o mais belo sol os iluminasse. E quem vai dizer que não estavam iluminados? Poderiam ter conversado no parque ou em uma praça qualquer que nada mudaria e, isso, aprenderam juntos: a não-necessidade da perfeição, da riqueza de detalhes, de uma harmonia fajuta, um dia sempre foi só um dia, outro a mais a ser riscado no calendário. Todo dia era dia, toda hora era hora e no dia cinza-feio ele entregou seu coração.
Irritada abaixou pra pegar o anel, ele displicente também. Os dois então se viram, curvados à mesa, em busca de um anel que significava aquela união abalada. Mais do que isso, eles buscavam por qual canto o interesse mútuo correra, em qual das deformidades do chão o carinho sumira, no carro, na casa, nos drinks, quantas palavras eles foram acumulando, quantas feridas não foram sobrepondo, os dois à sua maneira culpados. Tudo parou. Evaporou. Sorriram brevemente até o segundo seguinte, já recompostos, estranharam, riram, e de novo...
- Acho que eu perdi seu anel...
- ... Pra nos achar, pra nos achar!
10 comentário(s):
E eu desejo que ache, ache vc, ache ela e o anel agente deixa de lado.
Adoro vir aqui,sempre sempre e sempre.
Abraço
Pensei que tinha entendido depois vi que não tinha entendido depois acabei por entender. Um pouco triste, mas uma bela história, devo dizer.
"O céu estava nublado, um daqueles dias que muitos chamam de feio por não saberem enxergar beleza em dias assim"
De fato, os dias nublados são os mais agradáveis para mim. Poucos entendem a sensação única que eles proporcionam.
Todo dia era dia, toda hora era hora e no dia cinza-feio ele entregou seu coração.
É uma história mt triste mesmo.Mas espero que aquilo que se perdeu, que se culpou, que se guardou, possa ser recuperado.Ou que possa ser suplantado.
lindo isso.
Flores.
Muito bonito, como os casos "normais" da vida sem a perfeição desejada por tantos.
"O céu estava nublado, um daqueles dias que muitos chamam de feio por não saberem enxergar beleza em dias assim" e para mim esses dias são belos e muito mais intensos.
¥
Tantas vezes a gente se pergunta pra onde se foi o carinho e em que parte do tempo as coisas passaram a dar errado. É bonito quando a gente pensa numa situação em que conseguem encontrar tudo o que estava perdido, ainda mais entre sorrisos.
Adoro passar por aqui ou por aí =)
Eu viajo estranhamente nesses textos seus... sei lá.
Axé, irmão :D
Dj.
adorei o fim.
de repente perder o anel foi só um pretexto... "pra nos achar, pra nos achar"
bj bj
Promessas, promessas...
Lembrei de uma música de LH ''toma esse anel, que é pra anular..''
Perdeu-se, então, o anel, pra não anular.
''Pra nos achar, pra nos achar''.
Belíssimo diálogo entre os dois.
Como eu sou apaixonada por suas palavras...
Amei a sua forma de escrever.. e amei muito o texto!
Perdeu o anel para se acharem... ♥
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