Seu vestido era azul ou vermelho? E de repente eu simplesmente não lembro. Só lembro de ver você vindo em minha direção, sentando-se à mesa e dizendo uma meia dúzia de palavras soltas antes de se levantar e sumir. O que você disse mesmo? Era alguma coisa sobre a minha camisa parecer a de um cara em algum filme ou uma piada por eu ter pedido um refrigerante? Não sei. Vê? Já faz um tempo que tudo sobre você ficou impreciso. Se antes eu fotografava cada sorriso seu; cada passo que você dava guardava na memória como parte de um filme; agora tudo que envolve você não passa de um borrão, fotografias manchadas, estragadas pelo tempo. Só me pergunto agora onde foi que minha memória começou a me trair tanto.
Não queria que parar de pensar em você significasse também ter esquecê-la, não sei, mas é que assim fica parecendo que tudo não passou de encanto. Que durante todo esse tempo você foi só uma ilusão criada pela minha cabeça numa dessas auto-sabotações que a gente se faz pra tentar suprir determinadas faltas. Então eu precisava me apaixonar, é isso? Pura e simples necessidade? Porque se for, meu bem, mesmo de forma fajuta você esteve perto de sê-la. Minha paixão! E a partir daí só minha. Pequena, - engraçado pensar que eu nunca te chamei assim – durante esse tempo, mesmo sem ter certeza, fui criando tanta coisa bonita pra nós que agora é difícil acreditar que você pode ter sido só mais um capricho dessa minha cabecinha aflita. Desenhei no céu alguns momentos mágicos e os ensaiei em sonhos, coisas pequenas, bem simples, mas que te dariam total dimensão do que é ter pra si minha atenção e carinho que agora me soa totalmente irreal cogitar que não era sincero. Na verdade foi tudo sincero sim, que eu sentia sentia. Quem vai dizer que aquela vontade de te abraçar, de te tocar, de te ver e sentir era normal? Talvez tenha me confundido na intensidade ou por achar que uma coisa assim tão repentina poderia ser tão mais profunda, mas daí achar que não era sincero? Agora então culparemos todos por sonharem? Para que fique bem claro eu cheguei a gostar de você. Do jeito que pude, à minha maneira.
Percebi, então, que tenho acumulado fracassos. Sem dramas, sem sustos. Uma vez li que ‘a vida é confortavelmente muito boa’ e de fato pra mim ela é, mas sentimentalmente falando tenho me feito promessas de mais, ficando sempre a espreita de um olhar terno que, na ânsia de encontrá-lo, mino minhas possibilidades. Quer dizer, vai e coloca em prática que quando se vê o letreiro piscando ‘aqui se é feliz’ você deve caminhar até lá e não correr em disparada. Chega a ser inocente da minha parte, mas essa calma eu ainda não tenho não. Tanto que hoje sou bem mais superficial do que gostaria, beirando o insensível, como se isso fosse um processo natural de auto-proteção, só não quero aqui me ausentar das possíveis culpas que eu tenha, posso sim ter me equivocado outras vezes e errando sem perceber ter me entregado sem me entregar. É que tem gente que se machuca muito fácil e quando machucada se fecha mais.
Você mal saiu e eu já estou preparando de novo o terreno. Até lá que não me julguem por viver.
Não queria que parar de pensar em você significasse também ter esquecê-la, não sei, mas é que assim fica parecendo que tudo não passou de encanto. Que durante todo esse tempo você foi só uma ilusão criada pela minha cabeça numa dessas auto-sabotações que a gente se faz pra tentar suprir determinadas faltas. Então eu precisava me apaixonar, é isso? Pura e simples necessidade? Porque se for, meu bem, mesmo de forma fajuta você esteve perto de sê-la. Minha paixão! E a partir daí só minha. Pequena, - engraçado pensar que eu nunca te chamei assim – durante esse tempo, mesmo sem ter certeza, fui criando tanta coisa bonita pra nós que agora é difícil acreditar que você pode ter sido só mais um capricho dessa minha cabecinha aflita. Desenhei no céu alguns momentos mágicos e os ensaiei em sonhos, coisas pequenas, bem simples, mas que te dariam total dimensão do que é ter pra si minha atenção e carinho que agora me soa totalmente irreal cogitar que não era sincero. Na verdade foi tudo sincero sim, que eu sentia sentia. Quem vai dizer que aquela vontade de te abraçar, de te tocar, de te ver e sentir era normal? Talvez tenha me confundido na intensidade ou por achar que uma coisa assim tão repentina poderia ser tão mais profunda, mas daí achar que não era sincero? Agora então culparemos todos por sonharem? Para que fique bem claro eu cheguei a gostar de você. Do jeito que pude, à minha maneira.
Percebi, então, que tenho acumulado fracassos. Sem dramas, sem sustos. Uma vez li que ‘a vida é confortavelmente muito boa’ e de fato pra mim ela é, mas sentimentalmente falando tenho me feito promessas de mais, ficando sempre a espreita de um olhar terno que, na ânsia de encontrá-lo, mino minhas possibilidades. Quer dizer, vai e coloca em prática que quando se vê o letreiro piscando ‘aqui se é feliz’ você deve caminhar até lá e não correr em disparada. Chega a ser inocente da minha parte, mas essa calma eu ainda não tenho não. Tanto que hoje sou bem mais superficial do que gostaria, beirando o insensível, como se isso fosse um processo natural de auto-proteção, só não quero aqui me ausentar das possíveis culpas que eu tenha, posso sim ter me equivocado outras vezes e errando sem perceber ter me entregado sem me entregar. É que tem gente que se machuca muito fácil e quando machucada se fecha mais.
Você mal saiu e eu já estou preparando de novo o terreno. Até lá que não me julguem por viver.
24 comentário(s):
Alguns amores são inventados. Quando a possibilidade de se apaixonar e ser correspondido nos sorri, às vezes, nos convencemos de que podemos nos entregar. E nos entregamos, sem nos entregar, até perceber que a magia tá morrendo. Deu meia noite e tudo virou abóbora, mas não significa que não foi real. Todo amor inventado deixa um sapatinho de cristal... :)
É realmente difícil, a vida se fazendo desses encontros e desencontros. A gente sempre acaba se apaixonando por um desconhecido. Sina.
Beijos.
Ás vezes nos parece que foram amores iventados, apenas ilusão de nossas mentes...
E depois tudo se dissipa e passa.
Ainda assim, não deixou de ser verdadeiro!
Ah que lindo...achei tão lindo que queria permissão de no meu blog escrever um texto com a resposta dela..posso?
Criamos certas coisas apenas para nos machucarmos.E funciona.Às vezes é só falta do que fazer, às vezes é só um pouco de carência.De qualquer forma, ao mesmo tempo que é ótimo, é horrível, e tem vida útil tão curta quanto uma borboleta.
Adorei. E me identifiquei muitíssimo!
Oii já postei no meu blog a resposta do teu texto espero que goste do meu texto.Espero também que ele esteja á altura do teu.
'Se eu não lembro, não existiu', é o que dizem. Mas, por mais fraca que seja a lembrança, ela existir, significa que algo relacionado à ela existiu? Acho que isso fica à escolha de cada um...
Nossaa :O
Se isto é realmente destinado para alguém eu não sei...
Mas se for e a tal pessoa ler irá apreender que o amor veio até ela e ela nem ao menos deu valor e se um dia ela chegar a perceber será tarde demais e um dia quem irá sofrer será ela.
O mundo dá voltas!
Mas se não for real só tenho a dizer que: belo escritor.
--
Essa história é real??
--
:*
As vezes criamos algo e acabamos acreditanto q isso foi verdade! é foda! =/
beijos
Me identifiquei tanto!
Eu que sempre invento amores e acabo me boicotando.
Mas quer saber? Bom mesmo é sentir esse calorzinho no coração!
Ameei!
Beijos.
Meu, muito lindo isso tudo aqui. Adorei essa frase "Não queria que parar de pensar em você significasse também ter esquecê-la".
O texto me lembrou uma música do Cazuza "...O nosso amor a gente inventa pra se distrair"
Adorei o blog!
beijos
"Você mal saiu e eu já estou preparando de novo o terreno. Até lá que não me julguem por viver."
Quando digo que deveríamos conviver, irmão... Acho que nos seria uma bonança digna. Se pá, BH. (rimou \o/)
Axé, irmão achado. :D
As palavras fugiram de mim ou eu delas. Sei lá mais. =\ Tá péssimo aquele blog, pode falar que eu sei. Prometo dar um jeito.
Beeeeeejo!
p.s.: volto pra te ler. tô devendo.
Gostei muito do comentário que você deixou lá no blog. Você realmente é bom com as palavras :D
beijos
Vi a recomendação do seu blog no blog da Fernanda...^^
Ficou realmente muito bom teu texto.
Eu quando me machuco, me facho demais.
Me vi em certos aspectos de suas palavras...
Vida longa aos bons pensadores
olha, eu só tenho a dizer que, sim, é fácil demais criar um milhão de expectativas e depositá-las em alguém, é também fácil demais ser intenso, verdadeiro e profundo naquilo que se cria, mas é justo isso, é justo por ser humano, por desejar, por querer viver intensamenteinsensantemente.E eu de cá, já fiz tantas dessas, que não te culpo não por transformar a menina comum em princesa e vc príncipe, nós temos dessa..de vez em quando..tá, que agora ela virou sapo, isso tbm acontece de vez em quando.Nascaaaaaaaaaaaaa, perfeito-texto-perfeito!
Flores.
não é mais a mesma coisa;
E você foi brilhante no texto inteiro!
Aliás (sem querer encher sua bola =P), você costuma ser brilhante sempre :)
quem disse que não se deve correr em disparada quando se vê um letreiro com promessa de felicidade?
Ps: eu vi uma citação ali? hihi
Adorei o blog!
Estou seguindo...
bjs
"Percebi, então, que tenho acumulado fracassos", pois estou exatamente assim.
A vida, o amor tem dessas coisas, ás vezes agente acha que está apaixonado e não está, ás vezes agente acha que não está e está, faz parte, e não cabe á mim entender.
Um beeijo!
é...
até lá, que não me julguem por viver.
impossível.
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